segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O QUILOMBO NO REINO UNIDO- PARTE II

Stephen Pierce, Inglês, mora em uma cidade ao sul da Inglaterra, de nome Reading, local famoso por sediar um dos maiores Festivais de Rock, do Mundo. È casado com uma Brasileira, de Niterói. Músico, toca instrumentos de cordas, como Violão, guitarra, baixo, banjo e cavaquinho, estes últimos aprendidos no Brasil.

Esteve aqui pela primeira vez nos anos 80. Apaixonou-se pela musica e cultura de nosso País, principalmente pela musica Negra. Pesquisou durante anos as escolas de samba e seus compositores, entre eles Candeias, um de seus favoritos. Tocou com vários artistas, aqui na terra de Santa Cruz, entre eles Hermeto Paschoal.

Em sua cidade natal, é proprietário de um Café, onde tem modéstia dele um pequeno espaço para difundir as artes e a cultura.

Este ano se comemora cento e setenta e três anos da Abolição da Escravatura nas Colônias Inglesas. Assim varias atividades estão sendo realizadas para comemorar este momento.

Stephen decidiu então se juntar a uma ONG Brasileira lotada em Londres e organizar uma exposição de intitulada QUILOMBO, QUILOMBOLA.

A exposição fala dos remanescentes do Quilombo de Mostardas no Rio Grande do Sul. O nosso Inglês conheceu o trabalho da fotografa, Cândida Lucca, que fez um ensaio sobre os Quilombolas do Litoral Gaúcho.

Com a clara intenção de trabalhar as experiências dos Quilombos, no sentido da conscientização dos Ingleses, Stephen, organiza esta exposição.

È aí que entra nossa musica, Quilombo, Quilombola.

Durante o evento haverá outras manifestações culturais, entre elas Show de musica Brasileira. E no repertório do Inglês, estará minha canção e do Cerqueira.

Em breve outras noticias.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

SANGUE LATINO


Um sucesso meteórico. Como meteórico foi a existência da banda, menos de quatro anos. Secos&Molhados eram João Ricardo, Gerson Conrad e claro ele Ney Mato-Grosso.


O Brasil não demorou para assimilar, aquele som psicodélico, com ritmos que iam do Rock In Rool, passando pelo bolero e deslizando pelo samba. Um som que tinha o poder de letras de poetas como Vinicius de Moraes, Solano Trindade, Cassiano Ricardo e Manuel Bandeira, só para citar os do primeiro disco de 1973. João Ricardo era o autor da maioria das melodias, bem como dos arranjos.


Mas estávamos na era de aquários, de soltar o ar reprimido, apesar da Ditadura Militar, sapecar o proibido, cantar a todos os pulmões que é Proibido Proibir, que dizemos Não ao Não. Aqueles três Homens, vestidos com roupas, coloridas, com rostos pintados, mais pareciam, seres que desciam de naves espaciais, vindos de outros mundos.


Não se sabia se eram Feminino ou Masculino ou talvez os dois. As posturas no palco, desnudavam preconceitos e tabus. Nei abria a voz, a qual saltava uma Carmem Miranda em mistura com Mick Jagger, no andar, no rebolado.


A magia estava solta, comandada por este ex Hippie, morador em comunidades, viajante no mundo dos lisérgicos. Explodiram nas paradas de sucesso das rádios e dos programas de TV, os populares e os elitizados.


A androginia muito típica naquela época, lançada por David Bowie, fez uma polemica entre Ney Mato Grosso e Gene Simons do Kiss. Os Americanos juram que são os pioneiros em pintar mascaras nos rostos e vestir-se com roupas colantes. Ney dispara dizendo, que os roqueiros não poderiam ser donos deste feito, pois surgiram depois dos Secos.


A canção que considero uma de minhas favoritas, é do primeiro disco e traz características de quase toda a obra do grupo. Letras fortes de temas polêmicos ou líricos, de duração curta, como as musicas dos Ramones, que surgiram depois.


Outro aspecto é que as histórias fazem referencias a Histórias em quadrinhos, desenhos animados e filmes. Quase acústico típico da época em Sangue Latino, o violão e a viola de 12 cordas só perdem espaço para a flauta. Estilo bem latino, Sangue mantem uma letra de apelo comum na época, a contestação, que neste caso mistura a política com a revolução dos costumes.


Esta musica é das minhas preferidas, que alem de saber toda letra, em tempos de banda da Igreja lá no final dos anos 70, inicio dos 80, garantia em nosso repertório.

EU SÓ QUERO UM XODÒ


Mais uma de minha infância e juventude. Sucesso absoluto, este forróck, embalou, casais de namorados, serenatas, e cantorias nas beiradas de calçadas. Fiz muitas, com os grupos de jovens da Igreja Católica e mais tarde em dueto com o atual Presidente do PT Limeira Wilson Cerqueira.


Eu só quero um Xodó, fez Dominguinhos e Anastácia, aparecerem no cenário da MPB. Até então forrazeiros e tocadores de Baião, só se conhecia um Luiz Gonzaga, o Rei. Dominguinhos, que intitula-se afilhado de Gonzagão, introduziu na musica popular, o Baião mais sofisticado, que as classes médias do sul e sudeste puderam assimilar.


Gilberto Gil, é quem com uma visão futurista e tropicalista, grava esta canção de amor, de ternura, de chamego mesmo, com um arranjo pop rock forró e faz o Brasil inteiro tomar gosto, pelo sanfoneiro Pernambucano, que depois desta estréia na voz do bom Baiano, teve varias canções suas gravadas por grandes estrelas da MPB: De volta pro aconchego (Elba Ramalho), Quem me levará sou eu (Fagner), Abri a porta (A Cor do Som), Tenho sede e Lamento Sertanejo(Gilberto Gil).


Dominguinhos, influenciou outros sanfoneiros, entre eles Oswaldinho do Acordeom,Renato Borghetti, Sivuca, alem é claro de das bandas do forró universitário. Xodó foi lançado pela primeira vez em 1973, no disco ao vivo de Gilberto Gil “Cidade do Salvador”.


Mas já teve regravações memoráveis, como de Paula Toller em seu único disco solo de 1997, e o próprio Gil em dueto com Rita Lee, no disco dos dois Refestança de 1978.Todo som de Barzinho, toca Eu só Quero um Xodó, clássico da musica brasileira e uma de minhas preferidas.

FIO MARAVILHA


Sou apaixonado por futebol. Desde pequeno tenho contato com este esporte que atraí milhões de Brasileiros, todos os dias, para as telas, caixas de som de rádios, para os estádios de futebol.


Fio Maravilha foi uma das primeiras canções que falam sobre o esporte bretão, que tive conhecimento e qual passei a gostar. Um samba rock, dos melhores do repertório do então Jorge Ben, hoje acrescido do Jor.Ben Jor, Flamenguista doente acompanhava uma partida no Maracanã nos idos de 1972.


Jogavam o Fla e o Benfica de Portugal, em uma Partida Amistosa. Naquele dia o centroavante, negro com lábios grossos, estatura, passando do 1metro e 90, típico para um atacante de área, Fio como era conhecido, naquele dia, teria acrescentado e passaria para a História mais tarde, como Maravilha.O desempenho do atleta, inspirou Jorge Ben Jor, a compor uma canção em sua homenagem. E saiu Fio Maravilha.


A música foi inscrita no VII Festival Internacional da Canção, o último da safra organizado pela TV Globo, desde 1966.Ben tem sua música defendida na interpretação de um cantora, desconhecida do grande público.


Maria Alcina, é mineira de Cataguases. Sua voz grave, seu estilo irreverente, com um guarda roupa exótico, foi comparada, a outra estrela da MPB, Carmem Miranda. Alcina e Jorge Ben, venceram o Festival e tornaram Fio Maravilha, o boleiro conhecidíssimo no mundo inteiro, pelas inúmeras gravações que a canção adquiriu.Quando a música deixou de ser executada a exaustão,


Fio orientado por advogados, processou Jorge Ben Jor, alegando que deveria receber direitos autorais, pela utilização de seu nome. Jorge Ben, mudou de fio para Filho Maravilha. O jogador mais tarde, arrependeu-se do que fez, desculpando-se com o artista.


Entre 10 canções executadas em banheiros, barzinhos, calçadas e roda de amigos, Fio esta entre elas. Não tanto pelo atleta retratado, o qual as novas gerações nem sabem quem é, mas pela força e apelo dançante desta obra prima de Jorge Ben Jor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

MEUS VINÍS XV


MERCEDES SOSA


ARTISTA: MERCEDES SOSA


ANO: 1984


PRODUÇÃO E DIREÇÃO MUSICAL: MERCEDES SOSA, DANIEL GRINBANK, FABIAN MATUS.


MÚSICOS (DESTAQUES) : ARIEL RAMIREZ, CHARLY GARCIA E MARGARITA PALACIOS.


PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: MILTON NASCIMENTO NA FAIXA “INCONCIENTE COLECTIVO”.


GRAVADORA: PHILIPS


MÚSICAS


LADO 1


LA MAZA, ““Canción”- (Silvio Rodríguez)

CORAZON MALDITO, “Sirilla Canción”- (Violeta Parra)

MARIA, MARIA “Canción”- (Letra: Fernando Brant- Música: Milton Nascimento)TRIPTICO MOCOVI, a) En la tierra Mocoví (Aire Indio); b) Mocoví esperando (Canción); c) Solo ceniza quedando (Milonga)- (Letra: Guichê Aizemberg- Música: Ariel Ramirez)INCONCIENTE COLECTIVO “Cancion”- (Charly Garcia)


LADO 2


UM SON PARA PORTINARI “Marinera”- (Letra: Nicolas Guilén- Música: Horacio Salinas )TONADA DEL OTONO “Tonada”- (Letra: Jorge Sosa- Música: Damian Sanches)SIMPLEMENTE LUZ “Zamba”- (Letra: Hugo De Sanctis- Música: Hugo De Sanctis e Jorge Berchessi)

ME VOY PA`L MOLLAR- a) Me Voy pa`l Mollar “Vidala” Fragmentos- (Margarita Palacios); b) El Jardín del olvido “Vidalita Chayera”- (Recopilación de Margarita Palacios); c) Vidita “ Vidala” Fragmentos- (Margarita Palacios); d) El tinkunako “Tradicional Riojano” Fragmentos; e) Mi negra “Baguala” Fragmentos- (Letra: Cacho Valles- Música: Carlos Lastra); g) Me Voy pa`l Mollar “Vidala” Fragmentos- (Margarita Palacios)

UNICORNIO “Cancion”- (Silvio Rodriguez)

EL CONDOR VUELVE “Cancion Latinoamericana” Fragmentos- (Letra: Armando Tejada Gómez- Música: Eduardo Aragón)


COMENTÁRIOS


Mercedes Sosa foi durante 3 décadas (60/70/80) a embaixatriz da música latino americana de protesto e de resgate da cultura dos povos da América. Neste belo disco, e4ncontra-se todos os estilos e ritmos do Continente de Zumbi e Simon Bolívar, em letras e música de compositores com Silvio Rodriguez e a grande Violeta Parra. Dos mais contemporâneos, Mercedes convocou Charly Garcia, Margarita Palácios e os Brasileiros Milton Nascimento e Fernando Brant. Alias o destaque do LP, é exatamente a faixa “Inconciente Colectivo”, que tem a participação de Milton nos vocais. Este trabalho é tão belo que traz um poema de Nicolas Guillén, poeta Cubano que mesclava a poesia social e revolucionária, com a lirica e de raízes africanas. Disco para todas as gerações, em particular as que não conhecem a América de todos os sons e ritmos.

MEUS VINÍS XIV


MARIA BETHÂNIA E CAETANO VELOSO AO VIVO


ARTISTA: MARIA BETHÂNIA E CAETANO VELOSO


ANO: 1978


PRODUÇÃO E DIREÇÃO MUSICAL: PERINHO ALBUQUERQUE


MÚSICOS (DESTAQUES) : ROSINHA DE VALENÇA (VIOLÃO), JAMIL JOANES (BAIXO), PAULINHO BRAGA (BATERIA) .


GRAVADORA: PHILIPS


MÚSICAS


LADO 1


TUDO DE NOVO- (Caetano Veloso) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso

CARCARÁ- (João do Vale e José Candido) Interprete: Caetano Veloso

JOÃO E MARIA- (Chico Buarque e Sivuca) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso

NÚMERO UM- (Mario Lago e Benedito Lacerda) Interprete: Caetano Veloso

MARIA BETHÂNIA- (Capiba) Interprete: Caetano Veloso

O QUE TINHA DE SER- (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) Interprete: Maria Bethânia


LADO 2


O LEÃOZINHO- (Caetano Veloso) Interprete: Maria Bethânia

MEU PRIMEIRO AMOR (Lejania)- (H. Gimenez, Versão: J. Fortuna e Pinheirinho Jr.) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso

FALANDO SÉRIO- (Mauricio Duboc e Carlos Colla) Interprete: Maria Bethânia

REINO ANTIGO- (Rosinha de Valença e Maria Bethânia), ADEUS MEU SANTO AMARO- (Caetano Veloso) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso

MANINHA- (Chico Buarque) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso

DOCE MISTÉRIO (Ah! Sweet Mystery Of Life)- (V. Herbert- Versão: Alberto Ribeiro) Interprete: Maria Bethânia e Caetano Veloso


COMENTÁRIOS

Desde que tornaram-se artistas profissionais, Caetano e Bethânia, nunca fizeram disco ou Show somente os dois. Ocorreram projetos como “Os doces Bárbaros”, dois anos antes com os outros baianos, Gil e Gal. Este LP é resultado do Show homônimo que reuniu os dois manos. O branco predominou no espetáculo, junto a colares e pulseiras típicas do candomblé, fé mística de Bethânia. A gravação teve a presença magnífica de Rosinha de Valença no violão. Destaques do trabalho, ao qual tem mais a cara da mana do que do mano, a perfeita interpretação de Bethânia para Leãozinho, em minha opinião a melhor feita até hoje. Outro destaque a faixa que abre o disco, e que serviu como música de trabalho, “Tudo de Novo”. Mas a que emplacou naquele ano foi a versão cascatinha e inhana, feita por Bethânia e Caetano para “Meu Primeiro Amor”, do Zé Fortuna. O disco foi lançado em CD para o projeto Todo Caetano (2002), que teve a direção na reedição do Titã Charles Galvin. Para saber mais acesse o site de Caetano: http://www.caetanoveloso.com.br/ .

MEUS VINÍS XIII


REALCE


ARTISTA: GILBERTO GIL


ANO: 1979


PRODUÇÃO: MAZOLA


MÚSICOS (DESTAQUES): SERGIO DIAS –Ex Mutantes- (guitarra solo na faixa “Não Chore Mais”), LINCON OLIVETTI (fender Rhodes e piano na faixa “Não Chore Mais”), LIMINHA (Baixo na faixa “Não Chore Mais”), PERINHO SANTANA (Guitarra).


GRAVADORA: WEA


MÚSICAS


LADO 1


REALCE- (Gilberto Gil)

SARARÁ MIOLO- (Gilberto Gil)

SUPERHOMEM, A CANÇÃO- (Gilberto Gil)T

RADIÇÃO- (Gilberto Gil)


LADO 2


MARINA- (Dorival Caymmi)

REBENTO- (Gilberto Gil)

TODA MENINA BAIANA- (Gilberto Gil)

LOGUNEDÉ- (Gilberto Gil)

NÃO CHORE MAIS (No Woman, No Cry)- (B. Vicente Versão: Gilberto Gil)


COMENTÁRIOS


Realce fecha a simbologia do R, iniciada com Refazenda (disco rural), tendo Refavela como segunda obra(raízes negras), passando por Refestança com Rita Lee (elogio a dança e ao Rock in Rool) e terminando com este que faz uma síntese dos anteriores, propondo festa ao invés de terror. O disco lançado em 1979, ainda sobre os auspícios do regime militar, caracterizava a possibilidade de mudanças no País, pois um ano antes se instituiu a anistia aos presos e perseguidos políticos. Realce procura de forma metafórica, traduzir o clima de alegria pela possibilidade de respirar democracia. Das nove faixas da obra, apenas Logunedé não ficou nas paradas de sucesso, o disco foi um dos mais vendidos e tocados na época. Gil sempre foi notabilizado, por vanguardista, por lançar novidades, neste o novo ficou no Regue No Woman No Cry, cantada originalmente por Bob Marley e que com a versão de Gil, o estilo Jamaicano, foi popularizando no Brasil, embora já obtinha vários adeptos. Destaque para a Homossexual Super Homem a Canção, a sempre Marina, em uma roupagem Dance e Toda Menina Baiana. Mas foi com Não Chore Mais que o disco tornou-se clássico para todo o sempre.