terça-feira, 2 de outubro de 2007

MEUS VINÍS IX


CARNE E OSSO


ARTISTA: TAIGUARA


ANO: 1971


PRODUÇÃO: SEM REFERENCIAS


MÚSICOS: SEM REFERENCIAS


DESTAQUE: A capa que traz dois grandes olhos e a contra capa com uma boca sorrindo lindamente. E mais as letras das canções estão publicadas: Lado 1 na capa e Lado 2 na contra capa em letra trabalhada a mão. No interior do encarte/Capa um desenho de um Homem acorrentado e em uma das mãos uma pomba branca. Em seus pés uma foto de uma pessoa a qual o LP não faz referencia de quem seja. A ilustração é de Adelson do Prado.


GRAVADORA: ODEON


MÚSICAS


LADO 1


BEIJO DE MARCELA- (Taiguara)

VIRGEM DE OLHOS DE VIDRO- (Taiguara)

MOMENTO DO AMOR- (Taiguara)

BICICLETAS, etc...- (Eduardo Souto Neto e Geraldinho Carneiro)


LADO 2


CARNE E OSSO- (Taiguara)

NO COLO DA NUVEM- (Taiguara)

AMANDA- (Taiguara)

A ILHA- (Taiguara)

SARRO DE 30”- (Taiguara)


COMENTÁRIOS:


Este LP é um dos clássicos e raríssimos. O uruguaio mas radico no Brasil, Taiguara, mostra neste disco a dicotomia de que foi sua carreira, combinando o romântico com canções de protesto social e político. Taiguara iniciou sua carreira, participando de vários Festivais de MPB nos anos 60 e 70, venceu dois deles, o Brasil Canta com “Modinha”de Sergio Bittencourt e o Universitário com “Helena, Helena”, do Alberto Land, ambos no Rio de Janeiro e no ano de 1968. Taiguara foi um dos compositores, que tiveram boa parte de sua produção censurada por completo e com cortes durante o regime militar. Fala-se de aproximadamente 100 canções. Teve inúmeros sucessos, entre eles “Viagem”, “Hoje” e “Universo do Teu corpo”. Simpatizante do PCB, fez uma canção em homenagem a Luís Carlos Prestes nos anos 80, faixa do disco “Canções e Liberdade”, de 1983. Neste o destaque vai para a metáfora “Carne e Osso”, grande sucesso que simbolicamente fala de amor, mas implicitamente denuncia o terror da ditadura militar e “Amanda”, esta uma belíssima música romântica. É um pena que o disco não traz ficha técnica e aí não da para saber os arranjadores e músicos desta Histórica obra. Taiguara o cantor do Amor e da Liberdade, faleceu em 1986.

MEUS VINÍS VIII




TXAI




ARTISTA: MILTON NASCIMENTO




ANO: 1990




PRODUÇÃO: MÁRCIO FERREIRA




ASSESSORIA EM PESQUISA DA CULTURA INDIGENA: ANGELA PAPPIANI (Núcleo de Cultura Indígena-UNI) e CARLOS ALBERTO RICARDO (CEDI- Centro Ecumênico de Documentação e Informação)




MÚSICOS (DESTAQUES): A Turma de Minas Gerais: NOVELLI, WAGNER TISO, ROBERTINHO SILVA, TULIO MOURÃO e MARLUÍ MIRANDA, vocais na faixa “NOZANINA”




PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: Integrantes das tribos YANOMANI, KAYAPÓ DO A-UKRE, PAITER, WAIÁPI e RIVER PHOENIX, fala em “CURI CURI”




GRAVADORA: CBS




SIGNIFICADO DA FRASE: TXAI: palavra da língua dos índios Kaxinawa, adotada por índios, seringueiros e ribeirinhos, no ACRE, como tratamento de respeito e carinho a todos os aliados dos povos da floresta. Companheiros- Metade de mim




MÚSICAS




LADO 1




ABERTURA- (Davi Kopenawa Yanomami)




TXAI- (Milton Nascimento e Marcio Borges)




BAU METÓRO- (Música original do povo Kayapó do A-Ukre)




COISAS DA VIDA- (Milton Nascimento e Fernando Brant)




HOEIEPEREIGA- (Música original do povo Paiter)




ESTÓRIAS DA FLORESTA- (Milton Nascimento e Fernando Brant)




YANOMAMI E NÓS “Pacto da Vida”- (Milton Nascimento e Fernando Brant) AWASI- (Musica original do povo Waiapi)




LADO 2




A TERCEIRA MARGEM DO RIO- (Milton Nascimento e Caetano Veloso)




BENKE- (Milton Nascimento e Marcio Borges)




SERTÃO DAS AGUAS- (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)




QUE VIRÁ DESSA ESCURIDÃO?- (Milton Nascimento e Fernando Brant)




CURI CURI- (Tsaqu Waiapi )




NOZANINA- (Heitor Villa-Lobos e Roquette Pinto)




BARIDJUMOKÔ- (Musica original do povo Kayapó do A-Ukre)


COMENTÁRIOS:




Este é mais um dos projetos de resgate das culturas dos povos que constroem esta nação. Nos anos 80, Milton protagonizou dois outros projetos, com este objetivo: Missa da Terra Sem Males, com letra de Dom Pedro Casaldaliga e Pedro Tierra, abordando o universo indígena no Brasil; Missa dos Quilombos, o resgate da cultura afro brasileira. TXAI como os seus antecessores, contou com parcerias de instituições ligadas aos povos da floresta, tema deste sensacional LP, inclusive toda a arrecadação do disco, para campanha Aliança dos Povos da Floresta. Este Milton Nascimento, um Brasileiro engajado nas lutas dos povos Brasileiros. O disco alem de contar com excepcionais músicos, conta com uma das raras parcerias de Milton com Caetano Veloso “A Terceira Margem do Rio”. Alem da faixa titulo, “Benke” e “Coisas da Vida”, foram os destaques nas rádios do País. River Phoenix, ator Norte Americano, que precocemente faleceu, dois anos após o lançamento do disco, tem participação na faixa “Curi Curi”. Milton tempos depois faz uma canção em homenagem ao ator, que fez sucesso no polêmico filme Garotos de programa.

MEUS VINÍS VII

MEMÓRIA 5

ARTISTA: COLETÂNEA COM GRUPOS VOCAIS E INSTRUMENTAIS, INTEGRANTES DO PROJETO “MEMÖRIA”

ANO: 1988

PRODUÇÃO: J.C. BOTEZELLI- PELÃO

MÚSICOS (DESTAQUES): CÉSAR CAMARGO MARIANO (Piano) e AIRTON MOREIRA (Percussão) integrantes na época do grupo Sambalanço trio (1962/1965), na faixa “Pra machucar meu coração”.

CONJUNTOS PARTICIPANTES: Sambalanço Trio, Os Três Morais, Zimbo Trio, Jongo Trio, Quinteto Violado, Trio Iraquitan, O Bando da Lua, Conjunto Farroupilha, Quatro Azes e um Coringa, Titulares do Ritmo, Demônios da Garoa, Conjunto a Voz do Morro.

GRAVADORA: ELEBRA- Selo da BMG Ariola

MÚSICAS

LADO 1

PRÁ MACHUCAR MEU CORAÇÃO de “1943”- (Ari Barroso), faixa instrumental- Interprete: SAMBALANÇO TRIO

TICO-TICO NO FUBÁ- (Zequinha de Abreu), Interprete: Os Três Morais

BALANÇO ZONA SUL- (Tito Madi) Faixa Instrumental- Interprete: ZIMBO TRIO

O MENINO DAS LARANJAS- (Théo de Barros), Interprete: JONGO TRIO

FORRÓ DE MANÉ VITO- (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), Interprete: QUINTETO VIOLADO

ESTRADA DO SOL- (Tom Jobim e Dolores Duran), Interprete: Trio Iraquitan

LADO 2

NEGA DO CABELO DURO- (Rubens Soares e David Nasser), Interprete: O BANDO DA LUA

GAUCHINHA DO BEM QUERER- (Tito Madi), Interprete: CONJUNTO FARROUPILHAÉ

COM ESSE QUE EU VOU- (PEDRO CAETANO), Interprete: QUATRO ASES E UM CORINGA

PONTEIO- (Edu Lobo e Capinam), Interprete: OS TITULARES DO RITMO

TREM DAS ONZE- (Adoniran Barbosa), Interprete: DEMÔNIOS DA GAROA

A VOZ DO MORRO- (Zé Kéti), Interprete: A VOZ DO MORRO

COMENTÁRIOS

Este é o único LP que tenho do projeto Memória de música popular Brasileira. Não conheço os outros volumes. Mas a contar por este, imagino ser de altíssima qualidade. Disco de excelente produção, para um vinil, de um repertório de feliz escolha, com interpretações de conjuntos musicais, que lançaram artistas ou protagonizaram movimentos e momentos que fizeram História em nosso País. Destaco o SAMBALANÇO TRIO, primeira banda de César Camargo Mariano e de Airton Moreira, este último desde 1967, mantem carreira nos Estados Unidos. Alem destes O BANDO DA LUA, grupo que acompanhou Sinhô e Pinxiguinha, nos anos 20 e 30. Mas a importância do disco é maior ainda, quando na coletânea é incluída o Conjunto a VOZ DO MORRO, grupo formado por nada menos, Elton Medeiros, Paulinho da Viola e outros, marcou época no espetáculo homônimo, repleto de canções de protesto ao regime militar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A TONGA DA MIRONGA DO KABULETÊ


Mais uma de minha infância. Esta não estava no caderno de letras cifradas do Tio Joaquim. Ouvia esta canção de Vinícius de Moraes e Toquinho no radio, anos após o lançamento da música no disco de 1971, dos dois tendo a participação de Marilia Medalha.


O LP de nome Como dizia o Poeta, emplacou vários sucessos entre eles a faixa titulo e a campeã dos barzinhos Tardes em Itapoá. Sempre achei que A tonga era uma música que desferia um palavrão ou xingamento, só não sabia porque e quem esta sendo ofendido pelo samba manifesto do poetinha e de Toquinho.


Anos depois soube que o titulo que também é o refrão são na verdade um xingamento da língua Nagô, utilizada muito nos terreiros de Candomblé e Umbanda. A dupla escolheu esta frase pois estávamos nos anos mais duros da ditadura e a vontade era mandar tudo pra p.... que partiu, mas era cadeia na certa. O veterano sambista Monsueto participa com seu vozeirão nesta canção.

PAÌS TROPICAL


A música soou a época ufanista e alienátória. Seu autor Jorge Ben Jor, ainda Jorge Ben foi acusado de colaborar com o regime. Ainda mais que o primeiro a gravar e popularizar foi Wilson Simonal, este sim odiado pelas esquerdas que o tinham como o alcagüete da ditadura, tanto que anos depois surgiu varias denúncias em que a ele foi atribuída.


Mas Jorge Ben redimiu-se com a MPB engajada e a turma da Jovem Guarda, dois estilos que flertou desde o inicio da carreira, até que neste mesmo ano de 1969, quando País Tropical foi lançada, Jorge concorria no IV Festival Internacional da Canção da TV Globo, com a música “Charles Anjo 45”, acompanhado do Trio Mocotó. Este FIC é o marco para o lançamento de uma fusão e um movimento o Samba Rock, que vai ter adeptos por toda a vida: alem do Trio Mocotó, Luis Vagner e outros.


País Tropical sempre foi uma das preferidas das rodas de viola em que participei. Embora a época em que foi lançada, não á encaro como ufanista. Acho que é uma das melhores retratações do País em música popular.


A versão que mais gosto é que Gal Costa gravou em seu 2º disco solo (Gal) de 1969, aquele da capa toda psicodélica (eu tenho em vinil e troco por quem tiver em CD) e que tem a participação de Caetano e Gil.

BABY


Descobri esta canção Hiponga e Tropicalista, quando comecei a me interessar pela carreira e obra de Caetano Veloso.

Conheci Gal costa através de Caetano. Gal uma das musas do Tropicalismo, expressa nesta canção, todo sentimento de liberdade e de Amor, tão pregados pela Juventude naqueles tempos de Ditadura Militar e AI5 (Ato Institucional Nº 5).


Baby foi gravada primeiro no LP, Tropicália ou Panis Et Circenses, disco de reunia toda a trupe do Movimento Tropicalista: Gal, Gil, Caetano, Tom Zé, Nara Leão, Mutantes, Capinam, Torquato Neto, o maestro Rogério Duprat.


O disco saiu em 1968, e trazia perolas do movimento imortalizadas até hoje como: Geléia Geral de Gilberto Gil, Panis Et Circenses de Caetano e Gil, mas com os Mutantes e a hilariante gravação de Coração Materno de Vicente Celestino na voz de Caetano Veloso.


Porem a canção só decolou nas paradas de sucesso, a partir da gravação do Primeiro LP de Gal “Gal Costa de 1969”. Baby foi tema de um conto (O Presente) nosso publicado primeiro no site www.tiroequeda.com.br . Uma das gravações que mais gosto é a dos Mutantes, gravada em 1968 no LP “Os Mutantes”. Baby é uma viagem para os sentimentos libertários da geração dos anos 60.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

MEUS VINÍS VI


SEDUZIR


ARTISTA: DJAVAN


ANO: 1981


PRODUÇÃO: DJAVAN E MAYRTON BAHIA


MÚSICOS (DESTAQUES): BANDA SURURU CAPOTE (Luiz Avelar, Sizão, Teo Lima, Café, Zé Nogueira, Marquinhos e Moisés); Chico Batera (Timbales e Reco-Reco) na faixa “Nvula”.


PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: GILBERTO GIL (Cedido pela WEA), na faixa “Nvula”


GRAVADORA: EMI ODEON


MÚSICAS


LADO 1


PEDRO BRASIL- (Música e Letra de Djavan)


SEDUZIR- (Música e Letra de Djavan)


MORENA DE ENDOIDECER- (Música de Djavan, Letra de Djavan e Cacaso)JOGRAL- (Música de Filó e Netão, Letra de Djavan)


A ILHA- (Música e Letra de Djavan)


LADO 2


FALTANDO UM PEDAÇO- (Música e Letra de Djavan)


ÊXTASE- (Música de Djavan e Letra de Aldir Blanc)


LUANDA- (Música e Letra de Djavan)


TOTAL ABANDONO- (Música e Letra de Djavan)


NVULA- (Música e Letra de Filipe Mukenga, Adaptação de Djavan )


COMENTÁRIOS


Segundo colocado no Festival Abertura da TV Globo em 1974, com Fato Consumado, abriu as portas para o Alagoano Djavan na MPB e ao sucesso. Este LP vem no encalço do anterior que consagrou um dos maiores sucessos de Djavan, a bela “Meu Bem Querer”. Esta obra ainda mantinha o estilo que combinava o romântico com o engajado e com as raízes nordestinas e Afro. Faixas como Pedro Brasil ilustram aquele momento de protesto e de luta por um Brasil melhor. Jogral, Luanda e Nvula, passeiam pelo Nordeste Afro de Djavan. Mas é o Amor que se destaca no disco, com as faixas “Seduzir” e “Faltando um pedaço”, grande sucesso de Dja. Nos ritmos o samba, o romântico, misturam-se com o baião e o afro, o eletrônico que predomina em seus trabalho nos dias de hoje, ainda não tinha presença .