segunda-feira, 29 de outubro de 2007

METAMORFOSE AMBULANTE


Em 1992, fui convidado a coordenar pela primeira vez em minha vida, uma Campanha Eleitoral. Aceitei e me dediquei a candidatura do companheiro Wilson Cerqueira, Metalúrgico e candidato a prefeito em Limeira. Pela primeira vez o PT de minha cidade teria uma campanha organizada que teria o luxo de ter um Showmicio, situação que a pobreza do Partido e suas convicções ideológicas naquele inicio dos anos noventa não tinha permitido anteriormente. Pois bem em todos os comícios haveria musica, interpretada por um artista semi profissional, muito cultuado na então terra da laranja.

O artista, usava o codinome de Raul Silva, um dos principais covers do Baiano Roqueiro Raul Seixas. O sósia, era muito parecido, atraiu muitas pessoas. O PT nunca tinha realizado comícios que reuni-se mais de mil pessoas, há não ser quando da visita de Lula a cidade.

Fui a todos, e pude constatar a verdadeira adoração que o povo tem por rauzito. Digo tem, pois nos dias atuais, não existe um garoto de 13 ou 15 anos, um jovem de 20 ou 25, nem tão pouco um adulto da casa dos quarenta, ou um da terceira idade, que não conheça ou cantarole uma canção de seja de Raul Seixas.

Não curti muito Raul em minha adolescência. Prestei mais a atenção por volta mesmo dos anos 90. Precisei amadurecer para compreender que todas as gerações, a minha, a dos anos 80, a de minha filha de 16 anos, adoram o pai do Rock Brasileiro, que começou na Bahia imitando Elvis Presley. Depois montou uma banda de Rock dos anos cinqüenta, o Rauzito e os Panteras. Precisando de grana foi ser produtor na antiga Companhia Brasileira de Discos- CBS-.

Metamorfose Ambulante, foi a primeira de Raul, que incorporei como uma de minhas favoritas. Muita mais que um de seus mega sucessos, Ouro de Tolo, do mesmo LP de Metamorfose.

O disco chama-se King-há Bandolo, que alem de Ouro de Tolo e Metamorfose Ambulante, emplacou quase todas as faixas do bolachão naquele ano de 1973. Nele viraram musica obrigatória, do chuveiro, do violão no barzinho e na calçada, das chamadas brincadeiras e matines dançantes: Al Capone, Mosca na Sopa, How could I know e Cachorro Urubu.

Metamorfose parece uma canção adolescente, e é. Daquelas que propõe mudanças na vida e que rejeitam a ordem estabelecida.

O inicio da musica define os objetivos do poeta Raul:

“ Eu prefiro ser, esta metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

MANHÃS DE SETEMBRO


Esta é daquelas canções, que embalam crianças, adolescentes e adultos. Tive consciência de que Manhãs de Setembro, trazia o clima da época, já na fase adulta. Aos onze anos, a musica entrava em meus ouvidos, e enchia meu corpo de alegria e paz. Esta sensação a tenho até hoje com muitas canções. Esta foi uma das primeiras.

Manhãs de Setembro, de Vanusa e Mario Campana, foi lançada em 1973, no LP Vanusa, é até os dias de hoje um dos maiores sucessos da loira, que iniciou sua carreira, ainda em Minas Gerais seu Estado Natal aos 16 anos. Ao vir para o sudeste maravilha, começou sua trajetória artística, no Programa O Bom, comandado pelo explosivo Eduardo Araújo. Depois disto, esteve presente em todos os programas do movimento Jovem Guarda.

Foi casada com o cantor e compositor Antonio Marcos e o Diretor Artístico de Televisão, Augusto César Vanucci. Vanusa, nos anos 70, margeou entre as correntes da chamada MPB engajada e o movimento Brega. Freqüentou com isto vários programas populares, entre eles o de maior sucesso, A Discoteca do Chacrinha.

Manhãs de Setembro, é uma canção que fala de esperança, amor e Paz, bandeiras dos movimentos pacifistas e Hipiees dos 70.

Vanusa é em minha opinião uma das melhores vozes da Musica Brasileira, injustiçada muitas vezes, não só por cantar estilos não aprovados pela “inteligência dos críticos”, porem foi protagonista de assuntos polêmicos naquele período, como o do Feminismo e da discussão de gênero.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

AMANTE LATINO


Em 1977, comprei meu primeiro aparelho de som. Era o que convencionamos chamar de sonata, onde a tampa, era também os alto falantes. Comprei com minha primeira rescisão contratual. Meu primeiro emprego, foi em uma fabrica de escapamentos, em Limeira. A empresa hoje não existe mais e seu barracão faz parte da arquitetura da cidade, abandonado, como abandonados ficaram os trabalhadores, que dos anos 80 até agora não receberam nada de seus direitos. Tive sorte, trabalhei no período de auge da empresa.

Fiquei tão emocionado em receber minha primeira bolada, que não sabia o que faria com ela. Parte foi para ajudar no orçamento de casa e a outra, minha mãe decidiu. Filho vamos comprar sua sonatinha tão sonhada. E fomos. Era vermelha e foi comprada a vista. Estava pronto para receber LPs fantásticos. A sonatinha sobreviveu até meados da década seguinte.

Mas o primeiro bolacha que comprei e ouvi na sonata, foi um compacto simples. O disco de vinil com duas musicas, uma de cada lado. Não sei porque comprei, este CS. Acho que pela influencia que sofria na época de programas populares na radio e na TV, os quais ouvia e assistia muito ou talvez pela novidade estética, que o cantor e compositor de Amante Latino apresentava.

Rotulado já de cara como romântico brega, Sidney Magal, cujo nome artístico, buscou na Europa, tinha um estilo muito próximo da dança das comunidades ciganas. Roupas colando no corpo e coloridas. Cabelos compridos, usados a moda Hippie, típico da época e as vezes com uma fita na testa prendendo as madeixas. Musicas vibrantes e dançantes, Sidney rebolava o corpo todo, mexendo com a sexualidade e a libido de todos.

Freqüentador assíduo de programas televisivos da época como chacrinha, Bolinha, Raul Gil e muitos outros.

Foi campeão de vendagem de discos e muitas de suas musicas foram temas de novelas. Destaque para sucessos como: Sandra Rosa Madalena, Meu Sangue Ferve por Você, tenho e Me chama que vou.

Amante Latino, alem do CS é do LP de 1976, o primeiro de Sidney com o titulo do cantor. Alem deste mega sucesso, o disco traz ainda, Meu Sangue Ferve por Você e se Te agarro com outro te mato, que é o lado B do CS, que comprei.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

INFORME DA CULTURA MUNICIPAL

Cultura traz regional do Mapa Cultural e “Noite de MPB, Choro, Blues e Jazz”


A Prefeitura de Limeira, por meio da Secretaria da Cultura, traz dois eventos culturais nesta sexta-feira, 26 de outubro, às 19h30, no Teatro Vitória. Tratam-se do “Mapa Cultural Paulista Fase Regional - Literatura” e “Limeira em MPB, Choro, Blues e Jazz”, com entrada franca.

Limeira será sede da categoria “Literatura”, no Mapa Cultural Paulista, evento realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Cultura e Arte Abaçai e Associação das Oficinas Culturais (Assaoc), com organização da Secretaria da Cultura de Limeira.

Três modalidades englobam a categoria “Literatura”, dentro do Mapa Cultural. São elas: “Conto”, “Poesia” e “Crônica”. Na noite serão conhecidos os classificados para a fase estadual da expressão artística “Literatura”.

25 cidades de São Paulo participam dessa categoria. Limeira possui seus representantes:

Poesia:
Carlos Alberto Fiore – “Arte”, “Coroa de Sonetos”.
Loide Rita Pizani Silva – “Pseudo Sonho de Eros e Psiquê”.
Luiz Roberto Pienta – Demerara (Geossemântica).

Conto:
Maria Rita Gurgel Pinto Lemos – “O Cajado de D. Jorgina”.
Daiza Lacerda – “Memórias do Baú”
Marcos Roberto de Lima – “Vaca de Ferro”

Crônica:
Otacílio César Monteiro – “O Admirador Secreto”
Ricardo Luiz Wollmer – “Desce do Carro e Pega a Bolsa”

Limeira participa das seguintes categorias também:

Artes Plásticas: Nena Rigon, Daniel de Almeida Leitão e Léa Moraes Martins.

Teatro: Grupo Teatral Cênicos e Cínicos, com a comédia “Quem Matou Amélie de Pourt Salut”.

Vídeo: Eduardo Stafini Munhoz.

Canto Coral: Coral Municipal de Limeira.

Fotografia: Talma Ciarrochi e Kleber Marcelo.

Logo após a escolha dos representantes regionais da categoria “Literatura”, no Mapa Cultural Paulista, acontece o show musical “Limeira em MPB, Choro, Blues e Jazz”. É a segunda edição do evento, criado em 2006, pela Secretaria da Cultura.

Estão confirmados os artistas limeirenses: Contrabanda Blues, Nacontramão, Trio de 2, Márcio Zovico, Reminiscências e Grupo Villa Jazz.

De acordo com o secretário da Cultura, José Farid Zaine, o “Limeira em MPB, Choro, Blues e Jazz”, valoriza os artistas da cidade e reitera a política cultural adotada no município desde 2005, criando eventos para que músicos de Limeira possam mostrar seus trabalhos. “Vamos ter uma noite de grande confraternização da boa música limeirense”, afirma Farid.

Um pouco mais sobre os participantes do II Limeira em MPB, Choro, Blues e Jazz:

Contrabanda Blues:
A Contrabanda Blues, foi formada para disputar o 7º Canta Limeira de abril de 2007. Na oportunidade a Banda defendeu a música BLUES GLOBAL, de Janjão e Danilo. Um Blues, com forte batida de Rock´n Roll, a canção chamou a atenção da platéia, pois para um Festival de MPB, era diferente. Hoje a banda realiza releituras de clássicos da Música Brasileira, como: Sangue Latino, Negro Gato, Como Nossos Pais, Sapato 36 e outras, bem como Rolling Stones e artistas da nova Geração, entre eles Los Hermanos e Cat Powers, bem como composições próprias.

Nacontramão:
A Banda NacontraMão existe há dez anos com três CDs e um DVD gravados com músicas próprias no estilo Blues e Rock'n'Roll. Tem se apresentado em várias casas da nossa região como Campinas, Piracicaba, Rio Claro, Americana, Nova Odessa, além de outras cidades do interior, como também em outros estados: Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, etc.

Trio de 2:
Formado pelos músicos Marcelo Petrelli (bateria) e Veit Stumpenhausen (guitarra, programações) o grupo interpreta temas de jazz, fusion e acid jazz.
Os “músicos virtuais” são utilizados através do computador para suprir a falta de contra baixista, tecladista e percussionista.
Todos os arranjos são produzidos pelo guitarrista Veit.
O repertório possui temas de Pat Metheny, Incógnito, Miles Davis, Paul Desmond, Wayne Shorter, Ricardo Silveira, Joe Zawinul, além de temas próprios.
Músicos há mais de vinte anos Petrelli e Veit prometem levar ao público uma experiência única na execução e interpretação dos temas.

Márcio Zovico:
Pianista. Nunca freqüentou nenhum curso de música, é autodidata. Teve participações expressivas em diversas bandas, sempre revelando seu virtuosismo nos teclados.

Grupo Reminiscências:
O tradicional Grupo Reminiscências, que cada vez mais tem conseguido espaço na cidade e na região, tem o objetivo de resgatar e divulgar a essência musical da alma brasileira, que é o choro. Sempre fiel ao surgimento deste ritmo, que se deu por volta de 1870, e hoje se tornou uma grande expressão da música instrumental brasileira. Os integrantes são: Ditinho (cavaquinho e bandolim), Japão (violão e voz), Juan Carlos (pandeiro) e Pulú (surdo).

Grupo Villa Jazz:
O Grupo Villa Jazz nasceu dentro da Escola Villa Jazz, entre seus professores, em 2001, com Hélio De Gaspari (bateria), Alexandre Santos (contrabaixo), Dédi Ferreira (guitarra), Evandro Grisólio (teclado), Emanuel Massaro (violão) e Raquel Rochia (canto).

Mais informações podem ser obtidas nos telefones do Teatro Vitória: (19) 3451 6679 e 3451 2675.

NUVEM PASSAGEIRA


Hermes de Aquino, autor deste enorme sucesso de 1976, emplacou esta canção, em uma novela global: O Casarão. Epopéia de um casal que se conhece e se apaixona na juventude, é separado pelos interesses de classe e vai se reencontrar na terceira idade. O pano de fundo é a História do Brasil, da decadência do café, passando pelas ditaduras de Vargas e dos Militares.

Nuvem Passageira, foi também um sucesso passageiro na vida deste gaúcho, que iniciou carreira no circuito de Festivais, lançou alguns discos, quase todos um fracasso de vendas, exceto o de Nuvem.

Uma linguagem cifrada, pode ter inúmeras interpretações, desde um Amor momentâneo, até um desejo de que a noite de trevas da Ditadura, fosse passageira.

Cantei muito no banheiro, esta musica, que infestou os programas populares de radio e TV, naquele ano.

Hermes de Aquino, hoje dedica-se a composição de Jingles comerciais.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

TRANQUEI A VIDA


Minhas paixões adolescentes, como a de qualquer jovem, sempre tinha canções que embalavam uma fossa ou a conquista. Naquele ano de 1977, então com quatorze para quinze anos, minha libido, esta a mil. Descobertas sexuais e da paixão, estavam aflorando em minha cabeça e coração. Uma garota, que fazia parte de meu grupo de Jovens da Igreja Católica, estudava comigo no antigo ginasial, na escola Trajano Camargo. Morava no mesmo bairro. Uma loira linda. Me apaixonei perdidamente.

Foi platônico, nunca tive coragem de declarar o sentimento. Tinha medo de ser esnobado e rejeitado. Afinal no auge da adolescência, nutria crises o tempo todo.

Tranquei a vida, foi a minha canção, de desabafo e curtição de uma relação que não existiu, a não ser em minha cabeça. Chorava ao ouvi-la. Batia forte a voz de Ronnie Von.

Parceria com o Argentino Tony Osanay, Ex Beat Boys e nos anos 80 Raízes de América, Tranquei foi lançada primeiramente em compacto duplo, em Janeiro de 77. Depois em maio do mesmo ano no LP, Ronnie Von.

Alias com esta musica, o ex pequeno príncipe da Jovem Guarda, reforçava uma nova fase de sua carreira iniciada alguns anos. A da canção romântica, considerada de forma injusta, brega, porem com um toque de refinagem.

Ronnie, marginalizado pelo movimento da Jovem Guarda, com desculpas de que era um Playboy, enveredou no final dos anos sessenta, para um estilo que namorou a psicodélica, com discos e musicas fantásticas, que não venderam nada. Tranquei a vida vendeu muito, mas prenunciava o fim do Ronnie cantor, que nos anos 80, amarga o ostracismo, só terminado, com uma carreira de apresentador de Televisão, de Shows de variedades, em emissoras de pouco ibope.

Mas Tranquei, foi responsável por uma de minhas maiores dores de cotovelo e também pelo final desta fossa.

PARE DE TOMAR A PILULA


Como curti este clássico do chamado brega romântico. Canção que inundava o dial das rádios AM, naquele inicio dos anos 70, Pare de Tomar a Pílula, foi para mim um dos marcos, da rebeldia e ousadia na musica Brasileira.


Minha mãe detestava, minhas tias odiavam, as beatas da igreja, acendiam fogueiras para queimar discos e fotos de Odair José. Eu ainda um pré adolescente, achava graça daquilo tudo, não entendia bem, o porque da rejeição de muitos aquele música. Nem sabia pra que servia a tal pílula, tão endemoniada, por Católicos ou não, como dizia Caetano Veloso.Sabia a letra de cor.


Não perdia um programa de televisão que anunciava a ida do autor da pílula. Anos mais tarde pude descobrir, o quanto foi corajoso, o goiano Odair José, que com dezoito anos veio para o Rio de Janeiro, para tentar viver de música. Aqui comeu o pão que diabos e deuses amassavam.


Algo curioso que descobri recentemente, é que o futuro terror das empregadas domésticas, titulo que obteve, por ter neste público uma grande aceitação, é que no inicio de carreira, Odair José, quase foi militante de esquerda.


O cantor e compositor de Cadê Você, freqüentava o restaurante calabouço, local de reuniões e manifestações estudantis na década de sessenta. Junto com estudantes e lideranças de esquerda, participou de inúmeras mobilizações contra a ditadura militar.Ditadura esta que Odair José foi vitima, varias vezes, inclusive tendo Pare de Tomar, censurada alguns meses pelo regime militar.


Falar de anticoncepcionais, naqueles anos, era comprar briga com a igreja católica, defensora do método da tabelinha, como convenciona-se chamar até hoje. Pare de tomar, significou a ruptura com tabus, e uma moral cristã burguesa.


Odair foi na época um estouro de vendagens e um símbolo de um estilo musical, que em suas letras, falava de um universo, descriminado até então. Eram Prostitutas, como no primeiro sucesso Vou tirar você deste lugar, as já citadas domésticas, beberrões, mães solteiras e por aí vai.