terça-feira, 7 de janeiro de 2014

EDUARDO E MÔNICA

Existe um dito popular, que afirma que os opostos se atraem. Que as diferenças de personalidade, comportamento e intelecto, são fundamentais, para uma relação amorosa ser saudável e duradoura. As vezes acredito nesta tese. Vejo por mim. Minha mulher e eu vivemos juntos há 23 anos. Somos diferentes em muita coisa. Quando nos conhecemos, achávamos que estas diferenças atrapalhariam um relacionamento mais duradouro. O tempo provou que onde há amor, não há diversidade capaz de complicar uma relação.

Renato Russo, escrevia sobre sua geração (minha também). Uma geração que ele mesmo chamava de filhos da Revolução (Golpe) de 1964. Uma juventude que nasceu e cresceu sob o signo do medo, do terror. Tudo era proibido, inclusive expressar diferenças. Ser diferente naquele tempo, era pedir para ir pra cadeia. Um abismo entre ricos e pobres, se criou não só no aspecto econômico social, mas cultural. Quem imaginaria um garoto de periferia de caso com uma garota Classe Média?.

Mas a ditadura foi perdendo a força. O povo começou reaprender a botar para fora, suas diferenças. Como sempre a musica foi e ainda é o caminho, para traduzir o que se pensa, o que se faz. A distancia entre o menino do subúrbio, com a menina dos Jardins, começa a encurtar na vida e na música. O diferente provoca seu oponente, com suas preferencias artísticas, culinárias, da moda enfim, a reciproca também é verdadeira.

No filmaço Todos Somos Jovens, que conta a vida de Renato Russo até a formação da Banda Legião Urbana, tem detalhes fantásticos na forma de criar do poeta. Renato como todo Jovem tem sua turma. Ela é os filhos dos políticos e funcionários públicos de Brasília. Este era o seu mundo, seu universo. Dele o líder da Legião buscou conteúdo para sua obra.

Um determinado momento, Renato Russo, compra um gravador e o coloca escondido todas as vezes, que esta em conversas com seus amigos. Em uma delas Dinho Ouro Preto do Aborto Elétrico e depois do Capital Inicial, vai comunicar a Renato que irá se casar com sua namorada. Os dois são completamente diferentes. Dinho o Playboy descompromissado com as coisas do mundo, ela compenetrada na literatura de primeiro nível. Nasce Eduardo e Mônica.

Uma das canções mais emblemáticas do repertório da Legião Urbana. Lançado no disco 2, foi a faixa que mais tocou nas rádios em 1986. Um Blues todo ritmado pelo violão, Eduardo e Mônica, faz casais refletirem e darem gargalhadas juntos pela semelhança de muitos com a letra da canção. Nos Shows da Banda, era a mais cantada e pedida pelo público.

No dia 07 de Junho de 2011, Eduardo e Mônica completaram 25 anos, em que foram criados por Renato Russo. A Operadora Vivo, para comemorar este aniversário e homenagear os Namorados, no dia deles, fez um clipe moderno e mercadológico da música. Vivemos as Diferenças. Ouça esta Versão: http://brzu.net/04xpi .

Eduardo e Mônica
Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal, não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram, então, no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NOTURNO

Raimundo Fagner, entrou na minha lista de Favoritos, através do Ex Padre, meu Diretor Espiritual e a amigo, Luís Carlos do Nascimento. Já disse aqui em outras crônicas, minha admiração e amizade pelo exímio violeiro Luís Carlos. Nas inúmeras cantorias que fazíamos no inicio dos anos 80, no salão da hoje Paróquia de Santa Luzia, o Cearense Fagner era sempre lembrado.

Confesso que gostava mais de Raimundo Fagner daquela fase, do que a da metade daquela década. As canções falando do universo Nordestino, resgatando culturas e até denunciando a seca e a fome por ela provocada, me animava mais. Fagner com seus diversos parceiros, entre eles Belchior, Fausto Nilo, Manassés, Ednardo e outros, navegava com letras enigmáticas e ao mesmo tempo filosóficas, pelas entranhas do ser humano.

O primeiro estouro de Fagner, que o vai fazer conhecido, ouvi na antiga radio Andorinhas de Campinas, FM. Revelação, me fez ter contato com aquela voz forte de um sotaque Nordestino potente, que com ela arrebatava nossos ouvidos com seriedade, fazendo o coração pulsar e a mente pensar. As canções de Fagner, daquele período, foram feitas para refletir, pensar em muito. Revelação, fala do Amor, que o compositor tenta guardar, mas ele insiste em incomodar, mesmo em uma separação. Clic e ouça Revelação: http://brzu.net/04xnw .

Durante todo os anos 70, Fagner trilhou os caminhos dos Festivais de música, canal que dava visibilidade aos novos artistas, por conta da Televisão. Foi em um destes Festivais, que a turma do Pasquim descobriu o Raimundo. Um projeto que infelizmente não deu certo, o Disco de Bolso, um compacto simples era encartado junto com o Jornal Alternativo. Trazia de um lado, um artista consagrado, do outro um lançamento. Fagner participa do segundo volume do disco de bolso em 1972 com Mucuripe, parceria dele com Belchior. O consagrado era Caetano Veloso com A Volta da Asa Branca. Mucuripe este poema fantástico, vai ser conhecido no grande público, quando Roberto Carlos em 1975 canta a canção. Ouça Mucuripe: http://brzu.net/04xnx .

Abandonei Raimundo Fagner, após suas incursões por canções mais comerciais menos elaboradas. Não conseguia entender aquela opção em conquistar um público mais popular, que ouvia AM e assistia programas de auditório. Me reconciliei com o compositor, em 1989, quando esteve em Limeira. Foi um Show memorável, no Ginásio de Esportes do Nosso Clube. Sairiam sim a até bonita Borbulhas de Amor, mas o que eu queria mesmo era ouvir, Canteiros, Eternas Ondas, Guerreiro Menino e tantas outras.

Noturno é a canção desta resenha. Uma das ultimas da fase da poesia pura, arranjada com o fado português e a balada Brasileira. O primeiro verso é de arrepiar os cabelos. Uma obra que fala de desilusão, solidão, paixão e ao mesmo tempo de esperança. Os tempos ainda eram bicudos. Noturno esta no LP de 1979 Beleza e foi abertura da novela da Globo, Cavalo Alado. Clic e ouça: http://brzu.net/04xny .

Noturno
O aço dos meus olhos
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio
Mas deixaram suas marcas...
Se hoje sou deserto
É que eu não sabia
Que as flores com o tempo
Perdem a força
E a ventania
Vem mais forte...
Hoje só acredito
No pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia
Em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Há muito me deixou...
Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...
Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu!...
Hoje só acredito
No pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia
Em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Há muito me deixou...
Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...
Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu! Sou eu!...
Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...
Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu! Sou eu!...


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

MANIA DE VOCÊ

Rita Lee faz parte da minha vida, desde meus primórdios e tenho certeza de milhões de Brasileiros e Brasileiras, de todas as idades. Rita é universal, rompe barreiras de idades, classes sociais, sexo e religião. Rita Lee, não tem tempo ruim que segura nossas pernas para dançar ou nossos ouvidos para viajar em suas canções. Como disse Gil, na composição Quando em homenagem a Loirinha: Com todo prazer, quando a governanta der o bode, pode crer eu quero estar com você, superstar com você”. Clic e ouça aqui: http://brzu.net/04tzv .

Conheci Rita Lee, no tesouro escondido na casa de minha avó materna. As Revistas Intervalo. A capa trazia a loira vestida de bruxa da idade média, entre os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, dos tempos dos Mutantes. Mais tarde, ouvi Ovelha Negra. Estava na pré adolescência, esta música marcou aquela fase de rebeldia normal de toda a pessoa. Rita continuou estando em meu caminho graças a Deus. Meu pai e seus rádios (Tapes), sintonizados nas FMs naquele fim de anos 70. Ela tocava imensamente, nas rádios. Era uma delicia, cantar e dançar Rita.

Nos tempos da Banda Tuti Fruti, um Rock In Rool com toques mais pesado, mas já preconizava o que viria no final da década e em todo os anos 80. Este é o período de reconciliação da loira. Primeiro com o amor. Casa-se com Roberto de Carvalho e vai ter com ele a experiência musical do pop mais apurado, misturado com marchas carnavalescas que vão marcar sua carreira. Quem não se lembra de Lança Perfume?. Clic e ouça aqui: http://brzu.net/04tzw .

Outro momento de fazer as pazes. No livro Furacão Elis, Regina Etcheverria, conta que ao saber que Rita tinha sido presa, após sua casa ser invadida pela polícia, por suspeita de encontrar maconha em sua casa. Elis enfurecida com o fato, não pensou duas vezes. Ao chegar ao Dops naquele ano de 1977, aos berros dizia ao delegado, “é um absurdo fazerem isto com minha amiga, ela esta grávida”. Nascia ali uma amizade, que enterrava de vez a polêmica que dividia a turma da MPB e a Turma do Rock. Rita Lee em retribuição fez Doce Pimenta. Clic aqui: http://brzu.net/04tzx .

Mas a parceria do Amor com Roberto, vai inaugurar uma parceria que mudaria a vida de Rita e as nossas. A partir do disco Rita Lee de 1979, a cantora e compositora, vai angariar um patrimônio musical, de vendagens de disco, que nem Roberto Carlos ou um Sertanejo Universitário, alcançou até hoje. 55 milhões de cópias de seus álbuns, embalaram namoros, bailinhos, festas de aniversário e outras.

Rita Lee, paulistana da gema, dividiu com Raul Seixas durante anos a nobreza do Rock Nacional. Mania de Você é canção de todos os casais, pelo menos nos anos 80, na hora da relação sexual. A própria Rita confessa, que depois de uma trepada, Roberto pegou o violão e ela fez a letra. Clic e ouça aqui: http://brzu.net/04tzy .

Mania De Você
Meu bem você me dá
Água na boca
Hum! Rum!
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)
Meu bem você me dá
Água na boca
Água na boca!
Vestindo fantasia
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
A gente faz amor
Por telepatia
Telepatia!
No chão, no mar, na lua
Na melodia...
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)
Meu bem você me dá
Água na boca!



sábado, 30 de novembro de 2013

REFAZENDA

Aprendi que é preciso sempre fazer revisões. A expressão em sí, chama talvez a um reformismo e não a mudanças profunda nas coisas e na vida. Quem ao menos uma vez por ano, não mexe naquela gaveta velha, naquele armário de entulho, ou na prateleira repleta de livros. Na maioria das vezes o objetivo é se desfazer do que não serve mais para nosso cotidiano. Nessa de revisitar nossa coisas entulhadas em um local, revemos Histórias.

Nesta revisão, quase sempre há um que de saudades. Mas há também, a necessidade de afirmar, poderia ser diferente, ou posso resgatar esta ideia, ela ainda é atual, encaixa nos meus projetos do presente e do futuro. Karl Marx, ao escrever o método cientifico do materialismo dialético, coloca ser a analise da História fundamental para se pensar o presente e o futuro. Marx ao se apoiar na dialética de Hegel, ele mesmo refaz a teoria de seu professor, revendo-a e a aprimorando.

Gilberto Gil em uma Biografia autorizada, Gilberto Bem de Perto, de Regina Zappa, afirma ser Metafisico e não dialético. Não concordo com o artista. Sua obra o desmente. Não vejo nada que confirme uma obsessão pelo não mudar, pelo tempo do aqui e agora. Pelo contrario. A dialética é viva no conjunto do trabalho de Gil. Quando desponta para música, era um bossa novista, mas já com tinturas próximas da música de protesto. Aí ele se reinventa e reinventa a MPB com o Tropicalismo. Esta reinvenção é regra em Gilberto Gil.

Em 1975, estava com doze anos. A MPB já tinha entrado na veia. Não ouvia ou via muito da chamada MPB, até porque as rádios eram inundadas de um estrangeirismo escandaloso. Mas o pouco que tinha contato já bastava. Para mim, a primeira faixa do disco Refazenda, chamava-se Abacateiro. Esta canção foi a mais tocada nas rádios naquele tempo. Só fui descobrir, o titulo correto, uns três anos depois, quando ouvi o disco todo.

Refazenda, é o LP, que inicia uma trilogia que o próprio Gil afirmou na época que faria. E os objetivos estavam claros, no disco e nas declarações do compositor. Dizia Gilberto Gil, a época: Cansei de ser Vanguarda, é preciso voltar ao que já fiz, recontar minha História. Mal sabia Gil, que mais uma vez estava no Vanguardismo da Música Brasileira. Refazenda inaugura ou consolida, a ideia dos discos temáticos, tão utilizados no Rock Progressivo.

E Refazenda, é a volta ao sertão, á roça, a caatinga do nordeste, as coisas simples do sertanejo. É Gil falando de suas origens no interior da Bahia, contando a História de sua Família, do Nordestino. O disco é para Dominguinhos, o cara esta em todas as faixas, além de ter Eu tenho Sede e Lamento Sertanejo no Setlist do discão. Clic e ouça Lamento Sertanejo: http://brzu.net/04tnz .

Portanto Refazenda, a música é a tradução deste revisitar o Brasil Sertanejo, em um tempo de desenvolvimento industrial e êxodo no campo. Clic e ouça Refazenda: http://brzu.net/04to0 .

Refazenda
Abacateiro acataremos teu ato
Nós também somos do mato como o pato e o leão
Aguardaremos brincaremos no regato
Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração
Abacateiro teu recolhimento é justamente
O significado da palavra temporão
Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
Abacateiro sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também
Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

I Can't Get No) Satisfaction

Fui ouvir e ver Rock In Rool pela primeira vez, com uns oito ou nove anos de idade, não me lembro bem. Foi pela televisão, ainda preto e branco, uma telefunkem, com uma traseira enorme, acho que de cor amarela. Compramos para dar cor nas imagens, uma tela de plástico, com traços azuis, vermelhos e pretos. Era considerado chique para época. O incomodo, era ter que levantar para mudar de canal. Tínhamos que virar o enorme seletor.
Foi na antiga TV, que vi pela primeira vez um programa que falava e tocava Rock. Tratava-se do Papo Pop, apresentado por um cara gordo, com roupas coloridas de nome Big Boy. A atração era veiculada na TV Record. Foi com  Big Boy, que pude conhecer bandas clássicas hoje, mas naquele tempo desconhecidas do público Brasileiro. Led Zepellin, Pink Floyd, e Rolling Stones. Boy foi o primeiro disc Jokey Brasileiro. As rádios foi seu habit no inicio de carreira. Ficou famoso também por suas entradas no Jornal hoje da Rede Globo, falando de discos e apresentando clipes.
Foi assistindo este gordo (nos deixou muito cedo, morreu em 1977), que tive minha iniciação rockeira e Stoniana. Depois disto peguei em mãos uma coletânea que tinha Angie, que Jagger fez para sua mulher. Clic aqui: http://brzu.net/04tkm . Mas foi Satisfaction, a canção de minha introdução ao estilo do Rolling Stones. Já de cara, mesmo com minha idade tenra, via nos acordes, na forma de interpretação, toda uma sensibilidade eminentemente sexual. Na verdade eu sentia, não compreendia.
Mais tarde, já calejado com música e com o Rock, pude pesquisar e conhecer a Banda mais antiga em atividade nos dias atuais. Dartford cidade do interior da Inglaterra foi o palco do encontro, entre os então garotos Mick Jagger e Keith Richards. Os dois gostavam de Blues, daquela coisa negra, com um ritmo esfuziante, pronto para liberar adrenalina e levar ao orgasmo dançante. Os Pubs de Londres foi o caminho destes rapazes, que formaram em 1962 uma Banda. Foi em Muddy Waters, uma lenda do Blues, que foram buscar o nome do Grupo. A canção Rollin Stone de Waters, deu origem o nome da banda. Veja a canção aqui: http://zip.net/brknQb .
O Blues, o Rock de Chuck Berry, outra influência forte, foi compondo o estilo da banda. Arranjos dançantes, cantados com voz rasgada de Mick Jagger, com toques refinados do Blues Tradicional. Adicione uma pitada de sensualidade, em rostos e corpos bonitos e você terá uma banda, que levava a loucura rapazes e moças nos primeiros pubs e palcos que tocava.
No inicio, pareceu ser o rival dos Beatles. Canções com letras despretensiosas, terninhos e cabelos curtos. Mas só foi impressão. Logo os caras, faziam letras cada vez mais agressivas sexualmente ou faziam viagens loucas por mundos, nunca dantes navegados. Os Stones, tiveram no inicio o selo de ser uma banda a mais no cenário Pop. A Banda que copiava os meninos de Liverpool. Mas foi a mídia Marqueteira que vendeu esta falsa disputa. A vitalidade dos Rolling Stones é algo que é de se admirar. Não tive a oportunidade de vê-los ao vivo das vezes que vieram ao Brasil, apenas pela Televisão, agora colorida. Mas eles são sensacionais.
Satisfaction, é do disco de 1965. Ainda os acordes do Blues, se faziam presentes em varias faixas. Mas os riffs da Guitarra de Keith Richards já apontava para a tendência que vai consagrar os Stones, o Rock Blues. A canção é um dos maiores sucessos da banda. Veja aqui: http://zip.net/bvlFZt .

(I Can't Get No) Satisfaction

The Rolling Stones 

(I Can't Get No) Satisfaction

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction

'Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information

Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction

'Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm watchin' my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can't be a man, 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signing that
And I'm tryin' to make some girl
Who tells me, baby, better come back later next week
'Cause you see I'm on losing streak

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say
I can't get no, I can't get no

I can't get no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction, no satisfaction
I can't get no

(Eu Não Consigo) Me Satisfazer

Eu não consigo me satisfazer
Eu não consigo me satisfazer

Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando estou dirigindo meu carro
E um homem chega no rádio
Ele está me contando mais e mais
Sobre algumas informações inúteis

Para pôr fogo na minha imaginação
Eu não consigo, oh, não, não, não
Hey, hey, hey, é o que eu digo

Eu não consigo me satisfazer
Eu não consigo me satisfazer

Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando eu estou vendo minha tv
E aquele homem aparece para me contar
O quanto as minhas camisetas podem ser brancas
Mas ele não pode ser um homem, porque ele não fuma
Os mesmos cigarros que eu

Eu não consigo no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, é o que eu digo

Eu não consigo me satisfazer
Eu não consigo a reação de uma garota
Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando eu estou andando ao redor do mundo
E eu estou fazendo isso e assinando aquilo
E eu estou tentando transar com uma garota
Que me diz, querido, melhor voltar depois na próxima semana
Pois você vê que eu estou perdendo a minha marca

Eu não consigo não, oh, não, não, não
Hey, hey, hey, é o que eu digo
Eu não consigo. eu não consigo

Eu não consigo ter safisfação
Nenhuma satisfação, nenhuma satisfação, nenhuma safistação
Eu não consigo




domingo, 24 de novembro de 2013

CHEGA DE SAUDADE

É cada vez mais raro, nos depararmos com a seguinte cena: Um grupo de jovens, em uma mesa de bar, ou sala de apartamento, ou mesmo no meio fio das calçadas, com um deles portando um violão e todos cantando canções deles mesmos e conversando sobre as novidades do exterior e o som que eles vinham fazendo. Isto regado a bebida, comida e claro, paquera, namoros e parcerias musicais. Foi assim que um Movimentou ou um estilo musical surgiu no Brasil a Bossa Nova.

O apartamento da família de Nara Leão no Rio de Janeiro foi no final dos anos 50, palco desta reunião de Jovens, entre eles Carlos Lyra, Ronaldo Boscoli, Roberto Menescal e claro o Baiano João Gilberto. Todos amavam o Jazz Americano, em especial o Cool e o Bep Bop. As novíssimas lojas de discos eram locais de ouvir as novidades vindas do exterior. Lá se escutava também, dois cantores Brasileiros que cantavam com voz macia e com arranjos muito próximos aos das Big Bands Americanas e de cantores como Frank Sinatra. Eram Dick Farney e Lucio Alves. Eles se diferenciavam no repertório dos bolerãos, valsas e dor de cotovelo que inundavam a musica Brasileira nos anos 50.

Esta atmosfera musical e comportamental, influenciou o poeta Vinicius de Moraes e o compositor Tom Jobim. Os dois já trilhavam caminhos diferenciados da maioria dos artistas da então MPB. Antenados com o que estava acontecendo ao redor. Em 1958, Elizeth Cardoso, lança o LP Canção do Amor Demais. Uma das faixas é Chega de Saudade de Vinicius e Tom. Mas a novidade estava na batida do violão. Era João Gilberto no acompanhamento. A batida, um ritmo totalmente desconhecido. O samba da Bahia, com toques do Jazz Cool. Em 1959, João lança um compacto, com Chega de Saudade e sua voz baixinha e suave, junto com a batida vai fazer História.

Nascia a Bossa Nova. Que junta-se a ela sua pré História, João Donato, Milton Banana, Vinicius, Tom e a garotada do Apê da Nara. Até hoje, a escritores e críticos que se dividem, quanto ao caráter da Bossa Nova. A aqueles que afirmam ter sido um Movimento, que introduz na música do Brasil, um ritmo alegre que falava do sol, mar, barquinho, amores, na contra mão da tristeza de canções como de Antônio Maria, tão criticado por João Gilberto. Outro aspecto, a batida rítmica e a mistura nos arranjos. Isto segundo Ruy Castro no livro Chega de Saudade, sobre a Bossa Nova, internacionalizou “o Movimento”.


O famoso Show no Carnegie Hall, em Nova Iorque, faz a popularização da Bossa Nova. Standards da canção Internacional como Sarah Vaughan, Stan Getz, Frank Sinatra (com Tom Jobim), Ella Fitzgerald entre outros.

 

Chega de Saudade, da o tom que a bossa nova queria já no primeiro verso. Uma das maiores canções do mundo. Ouça aqui: http://brzu.net/04sxm .


Chega de Saudade

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim

 



sábado, 2 de novembro de 2013

ECLIPSE OCULTO

O Brasil é um País onde o Machismo impera. E não adianta, vir com o papo de que não é verdade. A relação de Gênero, tem suas dificuldades para ocorrerem exatamente pelo enraizamento do Machismo.  Na Música Popular temos inúmeros e expressivos exemplos de aplicação descarada do dito cujo. Uma das canções mais desaforentas, é Amélia de Ataulfo Alves. O compositor se queixa da atual companheira, pois ela só pensa em riqueza e que Que Saudades da Amélia sim ERA MULHER DE VERDADE, pois aceitava inclusive passar fome ao seu lado. Clic aqui para ouvir Amélia: http://brzu.net/04q76

Bom em uma dupla interpretação, Amélia, era capaz de tudo aceitar, ser submissa ao extremo. Hoje um dos maiores problemas do século da informação e da pós modernidade, ainda é a distancia cultural e moral entre Homens e Mulheres. Apesar dos avanços e as conquistas da Mulher na Economia, na Politica, ainda o sexo feminino tem salario inferior, condições de trabalho inferiores, e a violência doméstica cresceu assustadoramente. O Sexo ainda é instrumento  utilizado de dominação. O contraponto nesta questão, pode ser configurada na canção MULHER de Erasmo Carlos. Clic e ouça esta maravilha: http://brzu.net/04q77 .

O que mais traduz o Machismo, são as piadas de mau gosto, o tratamento dado quando se fala de sexo. Ao homem, o poder do pênis se sobrepõe a sua capacidade de ser melhor como ser humano. Para muitos toda mulher é uma puta, pelo menos na cama, inclusive a dele.  É raro alguém falar a respeito da mulher, sem ser chulo, sem denegrir a imagem feminina.

A canção Eclipse Oculto de Caetano reverte esta logica. Coloca os sexos em pé de igualdade. O órgão genital masculino é sujeito na música a falhas, pois é humano, é formado por condições físicas e mentais. A música trata de uma brochada, algo nunca admitido pelos machos. Macho que é macho, não diz que negou fogo. Macho que é macho, faz piada de quem diz que não conseguiu chegar aos finalmentes. Caetano Veloso, não só fala que Brochou, como não desiste de continuar conquistando sua amada, mas não só através do Sexo.

Eclipse vai além desta discussão, de que o sexo representa tudo em uma relação. Ao admitir a relação Broxante e sua culpa, o compositor, diz que o Amor do casal é bonito e que não se deve esquecer do projeto de vida juntos. O refrão, vai nesta direção, quando “Não me queixo, Eu não soube te amar, Mas não deixo, De querer conquistar, Uma coisa, Qualquer em você, O que será?” .

A canção esta no Disco UNS, de 1983, uma das obras mais dançantes do compositor. Uns tem na capa os irmãos de Caetano. Clic aqui para ouvir este clássico: http://brzu.net/04q78 
Eclipse Oculto
Nosso amor
Não deu certo
Gargalhadas e lágrimas
De perto
Fomos quase nada
Tipo de amor
Que não pode dar certo
Na luz da manhã
E desperdiçamos
Os blues do Djavan...
Demasiadas palavras
Fraco impulso de vida
Travada a mente na ideologia
E o corpo não agia
Como se o coração
Tivesse antes que optar
Entre o inseto e o inseticida...
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?
Como nunca se mostra
O outro lado da lua
Eu desejo viajar
Do outro lado da sua
Meu coração
Galinha de leão
Não quer mais
Amarrar frustação
O eclipse oculto
Na luz do verão...
Mas bem que nós
Fomos muito felizes
Só durante o prelúdio
Gargalhadas e lágrimas
Até irmos pro estúdio
Mas na hora da cama
Nada pintou direito
É minha cara falar
Não sou proveito
Sou pura fama....
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?
Nada tem que dar certo
Nosso amor é bonito
Só não disse ao que veio
Atrasado e aflito
E paramos no meio
Sem saber os desejos
Aonde é que iam dar
E aquele projeto
Ainda estará no ar...
Não quero que você
Fique fera comigo
Quero ser seu amor
Quero ser seu amigo
Quero que tudo saia
Como som de Tim Maia
Sem grilos de mim
Sem desespero
Sem tédio, sem fim...
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?