sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

CAÇADOR DE MIM

Em 1981, vivia um de meus infernos astrais. A vida é feita deles. Quem não termina o ano, o mês ou o dia, não se achando, aborrecido e ao mesmo tempo em busca de saídas. Estava desempregado, não tinha grana nem pro rolezinho. Estava com dezenove anos, e prestava o serviço militar obrigatório. Foi dureza, fazer seis de tiro de guerra. Não via e não vejo nenhuma razão para se obrigar um jovem ao alistamento militar. Quem decide pela carreira, ainda tem sentido.

Vivia momentos afirmação de personalidade. Sofria de Amor constantemente. Mas a barra estava pesada. Ficar sem emprego, é não conseguir vislumbrar futuro algum. Minha vida limitava-se a turma do Bairro, na mesma situação que a minha. Isto trazia um certo conforto. Quando se é Jovem, é comum milhares de questionamentos existenciais. Me debatia com eles, sofria toda a vez que não encontrava as respostas. A música como já revelei aqui, era o elixir, capaz de me acalmar e ir buscando alternativas reais para o inferno astral.

Ao ouvir Caçador de Mim, do Luís Carlos Sá, parceiro do Guarabira, com o músico Sergio Magrão, em uma destas noites de insônia, ouvi a letra e cantei a melodia. Um exercício que aprendi, desde aqueles tempos. É quando você não cantarola, deixa a letra penetrar nos ouvidos e atingir o coração. Quando seu corpo reage aquelas palavras e aquela melodia que você sussurra para ti mesmo. Sai daquela experiência querendo ouvir outras canções e outros discos da mesma forma.

Sempre gostei de Milton Nascimento, como compositor e como interprete. Milton escreve o interior humano, com tinturas de realidade. E mesmo quando a canção não é escrita por ele, é como se o poema fosse escrito pelo cara. Ouvi de um dos últimos discos do Bituca E a gente Sonhando. Neste discão Milton volta as origens dos tempos de sua cidade Natal Três pontas. E também faz a sua versão de o Sol do Jota Guest. Querem saber melhor que o original. Ouçam aqui: http://zip.net/bql7Lf .

Caçador de Mim, traz as duvidas de um personagem. Sua incessante incomodacão com o fato de tentar seu espaço na vida. A constante busca por uma identidade. Um ser humano que aceita a dialética da vida, que sabe que terá amores e os perderá. Um ser que admite ser manso e também ser feroz. Mas que não teme a luta, embora tenha medo. Um ser que acredita nos sonhos e no viver a sonhar.

Vejo que somos constantemente caçadores de nós mesmos. Todos querem ser felizes, não há uma forma ou modelo para ser feliz. Por isto corremos atrás, somos seres em mutação. O ser humano é capaz de romper lógicas, formulas prontas, porque é um ser criativo e por isto sempre em transformação.

O disco de 1981, fez grande sucesso, inclusive esta obra prima. Clic e ouça: http://zip.net/bql7Lm .

Caçador de Mim
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir as armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ESPANHOLA

Em 2009, músicos do Estado de São Paulo, começaram um movimento, questionando a funcionalidade da OMB- Ordem dos Músicos do Brasil- . Na verdade a grita geral entre os artistas, consistia no fato de vários locais que contratam Shows, principalmente poderes públicos exigiam que o musico, tivesse a carteira de “sócio” da Ordem. Sem este documento, não se apresentava em vários lugares.

Tal fato foi considerado uma tremenda injustiça com a classe. A OMB foi criada pelo Regime Militar. Sua função era na prática, não há defesa da categoria, mas uma espécie de censura prévia aos artistas, principalmente os de oposição á ditadura. O órgão, funcionou como delator daqueles que protestavam contra a repressão. Há registros de várias colaborações de dirigentes da OMB na época com os militares.

Com a redemocratização, a Ordem dos Músicos do Brasil, continuou tendo um papel distante das reivindicações e necessidades dos músicos. Se transformou em um organismo de ditar através da carteirinha, quem trabalha ou não no Brasil. Seu papel de fiscalizador das condições de trabalho e salário que por sinal precárias para a maioria dos músicos, principalmente quem toca na noite, não existe.

O movimento em 2009, ganhou muita força ao ponto de uma liminar expedida pela Justiça tirou em todo o estado de São Paulo a obrigatoriedade dos músicos em estar associados a OMB para poder trabalhar. Foi o Deputado Estadual Carlos Giannasi do PSOL, que entrou com ação solicitando a derrubada da exigência da Carteirinha. Neste mesmo ano, Giannasi esteve em Limeira em um evento cultural, falando desta luta vitoriosa. Por conta dela hoje em São Paulo, esta obrigação não mais existe.

Porem a situação da maioria esmagadora de quem vive de música no País é sofrível. Milhares tocam em bares, restaurantes, lanchonetes, que pagam mal, que mal dá para se sustentar. Ou tentam financiamento público para gravar seu trabalho, quase sempre não conseguem. Mas costumo dizer, que é nesta labuta de não ser pop star, que encontramos grandes talentos.

Espanhola é uma canção de Flavio Venturini e Gutemberg Guarabira, que me faz lembrar dos que vivem da noite. Nos anos 80 peregrinei por bares e boates da cidade que tinham música ao vivo. Esta linda canção de Amor, era sempre tocada e pedida. Flávio Venturini, mineiro, um dos integrantes do Clube da Esquina, sabe o que é tocar nos bailes da vida. Do Terço, passando pelo 14 Bis, e depois na carreira solo, o cantor compositor mostra em seu repertório o que se executa na lida dos músicos.

Espanhola esta no disco Nascente de 1981. O primeiro disco solo do compositor. Clic aqui e ouça esta pérola: http://zip.net/bjl51F .

Espanhola
Por tantas vezes
Eu andei mentindo
Só por não poder
Te ver chorando
Te amo espanhola
Te amo espanhola
Se for chorar
Te amo
Sempre assim
Cai a o dia e é assim
Cai a noite e é assim
Essa lua sobre mim
Essa fruta sobre o meu paladar
Nunca mais
Quero ver você me olhar
Sem me entender em mim
Eu preciso lhe falar
Eu Preciso tenho que lhe contar


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SOBRADINHO

O Baiano Gutemberg Guarabira, talvez não imagina-se que sua valsa rancho vitoriosa no II Festival Internacional da Canção de 1967, da Rede Globo, fosse pelo menos lhe abrir caminhos para uma carreira de sucesso. Margarida nem era favorita naquele Festival, que tinha Chico Buarque e sua Carolina e Milton Nascimento e a extraordinária Travessia. Guarabira, deixa os favoritos para trás, e com a interpretação do Grupo Vocal Manifesto, arrebata o galo de ouro, símbolo daquele certame. Margarida não emplacou nas paradas de sucesso. Poucos se lembram dela. O próprio autor não há canta mais em seus shows. Mas o lançou para o País. Clic aqui e ouça Margarida: http://zip.net/bgl5GC .

O Carioca Luís Carlos Sá, naqueles anos 60, trilhou primeiro uma carreira apenas como compositor, depois foi fazer o circuito dos Festivais e tentar consolidar uma carreira solo. Unindo a Bossa Nova e ligado ao que os mineiros faziam, mais influências do Rock Inglês e de do Folk Americano, principalmente Bob Dylan, foram construindo em Sá uma concepção musical. Mas antes teve em Giramundo seu primeiro sucesso, gravado por Pery Ribeiro. Clic e ouça a canção: http://zip.net/byl5Zr .

E aí no final dos 60, o encontro com Guarabira e Zé Rodrix. O ultimo mineiro, vinha da experiência do Rock Progressivo e Psicodélico do Grupo de Belo Horizonte Som Imaginário. Uma banda que começou como acompanhante de Milton Nascimento e que teve como integrantes, feras, como Wagner Tiso, Tavito, Beto Guedes e outros. A união do Carioca, do Baiano e do Mineiro, criou um ritmo original o Rock Rural. As tradições do Nordeste, o Folk Americano e a batida da Bossa Nova, com o ritmo Mineiro e Progressivo, deu ao mundo o trio Sá, Rodrix e Guarabira. Gravaram dois discos de muito sucesso, mas com a saída de Zé, surgia Sá & Guarabira. Clic e ouça Primeira Canção da Estrada. http://zip.net/bkl5By .

Sobradinho cidade Baiana ao Norte do Estado, foi criada no lugar de Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado. As águas da Barragem que sustenta a Hidrelétrica de Sobradinho, expulsou de suas terras e casas mais de 70 mil pessoas. Até hoje nenhuma delas foi indenizada pelo Estado Brasileiro. A Ditadura Militar em 1977, começa a construir mais um de seus projetos faraônicos e milionários.

Me lembro que a Diocese de Juazeiro da Bahia, organizou uma campanha no Brasil todo de solidariedade as vitimas da Usina e da Barragem. O companheiro Wilson Zanetti meu amigo, esteve lá em 1979, empunhando solidariedade aquele povo, que já sofria com a seca medonha e via toda uma vida sendo soterrada pelas águas.

Em 1977, Sá e Guarabira lançam que para mim é o melhor disco da dupla. Pirão de Peixe com Pimenta, abre com Sobradinho, canção denuncia daquela atrocidade dos Militares. O refrão tirado de Antônio Conselheiro é fantástico. Ouçam a canção: http://zip.net/bsl5Ln .

Sobradinho
O homem chega, já desfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai, vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar.
Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus ...






domingo, 12 de janeiro de 2014

DONA

O Paulista Dias Gomes, não é a toa que nasceu em um ano mágico para as artes e a politica no Brasil. Primeiro, pois foi em 1922, que aconteceu a Semana de Arte Moderna, que viria mudar radicalmente, o que se fazia de cultura até então no País. O caráter erudito e elitista, dá lugar ao engajamento social e a ousadia no fazer arte. Os Modernistas irão ser uma das influências de Dias. É neste ano de 22, que uma outra referencia será importante na vida, na obra e na carreira do escritor. A fundação do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, no qual na fase adulta Dias Gomes era militar e buscar fontes para seu trabalho.

Dias, se notabilizou primeiro no Rádio, escrevendo as famosas radio novelas, pre História das Telenovelas. Foi no dial radiofônico que Dias Gomes, adaptou mais de 50 peças suas para teatro. Entre elas a internacionalmente conhecida O Pagador de Promessas. Será com este texto adaptado e dirigido por Anselmo Duarte, que irá em 1961, a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Mas a Ditadura Militar se implanta no Brasil. Com ela Dias Gomes será um dos autores mais cassados e censurados pelos Militares.

O Berço do Herói escrita em 1965, foi proibida no dia de sua estreia. A peça tinha um roteiro, que contava a História de Jorge, soldado da FEB, na segunda Guerra Mundial, que após uma batalha na Itália, desaparece, e nunca mais é encontrado. De repente, o protagonista, se transforma em Herói ao supostamente morrer. Sua cidade Natal, o elege a Santo, provocando romarias imensas a procura de milagres, do tal soldado. Dias Gomes faz uma critica aos falsos mitos, de situações e personagens reais. No caso em voga a Ditadura Militar, que justificava o golpe na ameaça Comunista.

Vai ser o Berço do Herói, a base para o autor, escrever Roque Santeiro, em 1975. Tudo foi montado para a estreia da Novela. As vésperas de entrar no ar, a produção, foi censurada na integra. 30 capítulos tinham sido já gravados. A justificativa da Censura dos Militares, teria sido um grampo no telefone do autor, onde o mesmo teria dito, que Roque Santeiro, era na verdade o Berço do Herói, com algumas adaptações, para ludibriar a censura. Este fato, causou enormes transtornos a rede Globo, que teve que colocar Selva de Pedra, um remake até a produção de Pecado Capital de Janete Clair, mulher de Dias Gomes.

Dez anos depois já na Redemocratização, Roque Santeiro, foi liberada e Aguinaldo Silva, readaptou o texto de 75. Vários personagens, foram mantidos com atores do original. Mas foi Regina Duarte, na pele da Viúva de Roque, Porcina e seu caso com o Coronel Sinhozinho Malta que rouba a cena da Novela. Sucesso absoluto.

Dona de Sá e Guarabira, em uma trilha Sonora de primeira, será uma dos maiores sucessos. Tema de Porcina, a canção teve várias interpretações. Ouça aqui com a maior delas, Roupa Nova: http://zip.net/btl4p0 .
Dona
Dona
Desses traiçoeiros
Sonhos
Sempre verdadeiros
Oh, Dona
Desses animais
Dona
Dos teus ideais
Pelas ruas onde andas, onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros esperando a tua voz
Teu desejo uma ordem, nada é nunca, nunca é não
Por que tens dessa certeza dentro do teu coração
Tam, tam, tam, batem na porta, não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama, um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo porque sei que és minha dona
Dona
Desses traiçoeiros
Sonhos
Sempre verdadeiros
Oh, Dona
Desses animais
Dona
Dos teus ideais
Não há pedra em teu caminho, não há onda no teu mar
Não há vento ou tempestade que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho, entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho nos carregam pela mão
É a moça da cantiga, a mulher da criação
Umas vezes nossa amiga, outras nossa perdição
O poder que nos levanta, a força que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe que isso tudo te faz dona...


sábado, 11 de janeiro de 2014

CADÊ VOCÊ

A Editora Guemanise do Rio de Janeiro, é especializada em editar e publicar livros de contos, poesias e crônicas. Conheci o trabalho da editora, pelo portal de poesias Releituras. Vi que a mesma, organizava vários concursos literários. Comecei a participar deles em 2006. Nunca consegui uma boa colocação, para como prêmio ter meu trabalho divulgado.

Em 2007 a Guemanise, criou o Concurso “Cantigários”. Consistia em contos, crônicas e poemas, versados sobre o tema MPB. Era a Música Brasileira, que estaria em foco, nos textos. Decidi escrever alguma coisa sobre este assunto, do qual dedico parte considerável da minha vida, estudando-o. Pensei em versos poéticos, ou em crônica. Mas percebi que seria mais um na multidão. Muitos escritores, como constatei posteriori, usariam este caminho.

Matutei com os botões de minha blusa e decidi escrever um conto. O tema inicial seria os Festivais de Música. Mas achei temário batido. Ao passar por uma das avenidas de meu bairro, ouvi Cadê Você de Odair José, tocando em um bar. Ao mesmo tempo, tinha lido sobre os Panteras Negras e um gesto feito por eles como saudação e símbolo do movimento. Braços levantados e punhos cerrados. No livro Enquanto corria a barca, sobre a Contracultura e as Artes nos anos 70, há uma passagem, que diz que Erasmo Carlos, usava este gesto, ao se apresentar no palco. Um dia durante uma apresentação no programa Silvio Santos, terminou de cantar e cerrou os punhos. Um agente da Censura, lá estava. Erasmo ficou horas se explicando no DOPS.

Estava fechado a estrutura do texto. Contaria a História da MPB, tendo como inicio a canção de Odair José e o símbolo dos Panteras, como fechamento. Falaria da Ditadura é claro. Pensei em um personagem próximo a mim e os de minha geração. Pobre, musico e sonhador. O titulo “Cadê Você: ou como escrevi este conto”. A história de um garoto que resolve se inscrever no programa de calouros de Silvio Santos na década de 70. Narro o dia da apresentação, o convívio com os amigos, o Amor, enfim como e porque ele escreveu este conto.

Fui premiado no concurso com uma menção honrosa e tive meu conto publicado na Coletânea com os demais textos. Sempre gostei de Odair José. Primeiro pelo fato de ouvi-lo muito em minha pre e adolescência nas rádios. Segundo, pelo fato de um cara que tem coragem de abordar temas até então proibidos naqueles tempos, como a pílula, ou a prostituição, não pode ser considerado um artista menor. Caetano Veloso é o primeiro a reconhecer isto, quando em um Show da antiga gravadora Philips, não só cantou Odair José como cantou com ele.

Cadê você o conto quem quiser, pode deixar o pedido aqui nos comentários ou no Facebook. Cadê Você esta canção Romântica, que esta no LP de 1973, o quarto na carreira do cantor, você ouve aqui:  http://zip.net/bpl4h4 .

Cadê você?
O tempo vai
O tempo vem
A vida passa
E eu sem ninguém
Cadê você?
Que nunca mais apareceu aqui
Que não voltou pra me fazer sorrir
Que nem ligou
Cadê você?
Que nunca mais apareceu aqui
Que não voltou pra me fazer sorrir
Então, cadê você?
Mas não faz mal
Pois eu me calo
Tá tudo bem
Eu sempre falo
Cadê você?
Que nunca mais apareceu aqui
Que não voltou pra me fazer sorrir
Que nem ligou
Cadê você?


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

DOMINGO FELIZ

Em 2012, a Câmara Municipal de Limeira homenageou com Titulo de Cidadão, o empresário artístico Geraldo Alves. Geraldo vive na cidade a muitos anos. Ficou conhecido nacionalmente, por ter sido empresário de Roberto Carlos em inicio de carreira. Naquele tempo a profissão (hoje intitula-se agente), não tinha a valorização dos dias atuais. Pensar em uma pessoa que cuide da carreira do artista, agende Shows, negocie contratos e outras tarefas, era muito raro, nos anos 60. Como um dos pioneiros Geraldo Alves, abriu um campo imenso para consolidar nomes como Marcos Lazaro e Guilherme Araújo, o primeiro empresário de Elis Regina e o segundo foi de Gilberto Gil e Caetano por muitos anos.

Na solenidade de entrega da honraria ao Empresário, estava uma figura ilustre. Desconhecido pelas novas gerações, mas extremamente popular, entre os da minha geração. Ângelo Máximo, estava no plenário prestigiando com sua presença o amigo e ex. empresário. Além de discursar o cantor, deu duas palhinhas cantando sucessos seus dos anos 70. Clic aqui e ouça A Primeira Namorada: http://zip.net/bgl28C .

Quem lá estava, conta que Ângelo mantem o mesmo porte físico e aparência dos anos de ouro de sua carreira, embora os cabelos brancos e uma pequena barriga, denuncie o passar dos anos. Ângelo Máximo, era considerado um artista popular. Vendia muito, tinha aparições constantes na TV e suas músicas tocavam absurdamente nas rádios. Rotulado como cantor Brega Romântico, era comparado a Wanderlei Cardoso, principalmente no timbre de voz.

Foi revelado, pelo programa de Calouros de Silvio Santos. A vitrine para artistas naquele tempo, era sem dúvida estes concursos musicais. Muitas vezes dava-se a impressão de ser marmelada ou de cair no ridículo, pois o humor popularesco, escondia muitas vezes o talento. Me divertia muito com estes programas, geralmente aos sábados á tarde, como clube do bolinha, Raul Gil. Mas o de Silvio Santos, sempre aos Domingos, era especial. Ângelo Máximo surge para o grande público neste formato.

Gravou três LPs nos anos 70. O primeiro em 1975, onde se destacam  "Minhas férias sem você", de Tony Damito, "Venha comigo amanhecer", de Lucinha, "Quando o dia nascer", de Laerte Freire e Valentino Guzzo, além de composições próprias como "Vem me fazer feliz". Em 1977, o segundo LP pela gravadora Bervely onde o destaque é Domingo Feliz. O terceiro, já em 1978, já apontava um declínio na carreira. Voltaria a gravar, depois de um hiato de 22 anos, em 2000 enveredando para a música sertaneja.

Domingo Feliz, foi cantada e recantada, pelos quatro cantos do País. Foi sem dúvida o maior sucesso de Ângelo Máximo. O personagem que prenuncia que os Domingos vão ser felizes, porque estará com o seu amor. Letra simples ritmo alegre, sucesso rápido. Click e ouça: http://zip.net/bxl3MH .

Domingo Feliz
Meu domingo
Alegre vai ser
Pois pretendo sair com você
Ye ye ye que dia feliz
De mãos dadas vamos andar
Muitos beijos iremos trocar
Ye ye ye que dia feliz
Ha ha ha hoje é meu dia
Eu vou ter ter ter o seu amor
Para ser ser ser feliz ao seu lado
Uol ha ha ha que dia feliz

Tudo aquilo
Que eu quero vou ter
Só você
Vai me compreender
Ye ye ye que dia feliz

Nosso sonho
De amor vai durar
Pois pra sempre
Eu vou lhe adorar
Ye ye ye que dia feliz

Ha ha ha hoje é meu dia
Eu vou ter ter ter o seu amor
Para ser ser ser feliz ao seu lado
Uol ha ha ha que dia feliz (3x)


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

PRO DIA NASCER FELIZ

Faço uma comparação da Banda Barão Vermelho dos tempos de Cazuza, com o The Doors de Jim Morrison. Não nos arranjos, pois se o primeiro puxa para o Rock Blues, o segundo alia a formação clássica de Ray Manzarek com o em inicio Rock Progressivo e Psicodélico. Mas o fato das duas bandas terem dois poetas, Cazuza e Morrison, personalidades rebeldes, expansivas e libertarias. O fato também de Roberto Frejat e Ray Manzarek, significarem o equilíbrio que os poetas não tinham, o profissionalismo que lhes faltavam.

Mas a poesia dos poetas e a genialidade musical dos equilibristas, dava samba ou melhor resultava em o melhor do Rock In Rool em seus tempos. As letras de Morrison eram realistas, como eram as de Cazuza. Embora Jim, viajava pela solidão e depressão de uma Juventude que não queria seguir os passos de seus pais. Cazuza abordava a geração nascida e crescida na Ditadura Militar. Falava de uma rebeldia mais otimista, que tira-se os jovens do clima baixo astral dos militares. Embora Frejat é mais Stones, mas a semelhança com os Doors não é pequena. Ouça aqui Light May Fire: http://brzu.net/04xsf

O nome Barão Vermelho, vem de um aviador Alemão  Manfred von Richthofen, principal inimigo dos aliados na Primeira Guerra. Ironia escolher o apelido de um militar que vinha da nação, ainda não Nazista, mas já se preparando para o ser. Outra ironia, é que a ideia de montar uma banda nasceu depois que dois integrantes do futuro Barão assistiram o Show do Queen em São Paulo. Cazuza vai ser indicado por Léo Jaime, primeiro vocalista do Barão. Não deu certo com Léo, mas tudo indicava que daria com o Agenor de Miranda.

Cazuza ofereceu não só a voz que se encaixava no estilo da banda. Mas ofertou letras que falavam do cotidiano de uma adolescência e juventude que ele e seus companheiros viviam. Letras aparentemente despretensiosas ou até alienadas. Porem desnudavam o que pensava e praticava aquela Juventude do inicio dos anos 70. O lado MPB clássico de Cazuza, ainda estava adormecido. Prevalecia histórias que se encaixavam nos arranjos Rock de Frejat. Coisa do tipo Bete Balanço, Bilhete Azul e Maior Abandonado, grande Hit após apresentação apoteótica no Rock In Rio I. Ouça Maior Abandonado aqui: http://brzu.net/04xsg .

E vai ser o maior Festival de Rock feito no Brasil, que fará o Barão Vermelho e Cazuza, entrarem definitivamente nos corações e mentes do povo Brasileiro. Mas não foi tanto pelo Show no evento. E sim pela interpretação de Ney Mato Grosso em sua apresentação de Pro Dia Nascer Feliz. A canção é do segundo trabalho da Banda de 1983. Passou em branco e preto, quase ninguém prestou a atenção. Mas na voz esfuziante de Ney Pro Dia, nasceu realmente Feliz para Cazuza, Frejat e CIA.

Após o evento no Rio, Pro Dia Nascer Feliz estoura nas paradas e o Barão Também. A letra da musica prenuncia o fim de tempos duros para aquela Juventude. Clic e ouça:  http://brzu.net/04xsh .

Pro dia Nascer Feliz
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita...
Todo dia tem a hora
Da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vão'bora...
Estamos bem por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Ah! Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, a outra ali
No vai e vem dos teus quadris...
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Ah! Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, a outra ali
No vai e vem dos teus quadris...
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Oh oh oh oh
Oh oh oh oh
Oh oh oh oh...